Sempre gostei de estudar. Fiz diversos cursos técnicos, livres, online… Mas, desde que finalizei a faculdade de Arquitetura e Urbanismo em 2017, minha rotina ficou tão voltada para o trabalho que não consegui mais me dedicar a cursos mais longos — nada que passasse de um mês.
Minha rotina era muito presencial, e isso por si só já é cansativo. Em São Paulo, com o trânsito de cada dia, tudo exige mais tempo e energia. Mas isso começou a mudar quando entrei para a equipe da Mono Design. Hoje, trabalho de forma híbrida e como PJ, o que me trouxe uma nova flexibilidade. Essa mudança me deu espaço mental e físico para olhar para outras possibilidades — inclusive voltar a estudar.
Na Mono, entrei como designer de produtos. Sempre gostei de escalas menores e, apesar de não ser formada na área, esse tipo de design sempre me atraiu mais do que o trabalho tradicional de arquitetura. Convivendo com colegas que se formaram de fato em Design de Produto, comecei a ter mais contato com os temas e a me interessar ainda mais.
Foi um desses colegas que me apresentou o curso da Fatec Tatuapé. Quando vi a grade curricular, me encantei. Tinha muitas disciplinas que eu não tive na graduação em Arquitetura, como conteúdos específicos sobre materiais e processos industriais. Fiz o processo seletivo e comecei a faculdade agora, no primeiro semestre de 2025.
A diferença entre essa nova graduação e a minha primeira é enorme. Na época da Arquitetura, eu tinha acabado de sair do ensino médio, nunca tinha trabalhado e estudava em um campus bem distante de casa. Agora, já com experiência de mercado, entrei com outra maturidade — precisei conversar com a equipe sobre os horários, garantir que não afetaria minhas entregas, reorganizar minha rotina. Já começo com mais clareza sobre o que quero, com mais responsabilidade e também com mais autonomia.
A escolha da faculdade ser próxima de casa também pesou muito. Como as aulas são presenciais e pela manhã, sabia que a distância poderia ser um impeditivo real. Ter esse deslocamento mais leve me ajuda a manter o ritmo sem me esgotar.
Confesso que não sei se vou conseguir concluir o curso no tempo padrão de três anos. Cada semestre é um desafio novo. Mas gosto da ideia de que o Design de Produto, assim como a Arquitetura, é um curso cheio de possibilidades. Mesmo tendo optado por não seguir como arquiteta depois da formação, tudo o que aprendi me abriu caminhos que continuo explorando até hoje.
Sinto que o Design de Produto vai fazer isso também — vai me apresentar novas áreas, provocar minha curiosidade e me inspirar a aprender mais. Estou animada para entender melhor o universo de produtos para além do mobiliário, que é o foco do meu trabalho atual.
Quero registrar essa jornada. A ideia é escrever um texto por semestre, compartilhando como tem sido essa mistura de trabalho e estudo, os aprendizados em sala de aula e como tudo isso tem alimentado minha prática como designer.

