Além do fazer: descobertas sobre processos e identidade no design

Entre materiais, experimentações e novas formas de criar durante meu 3º semestre na Fatec.

Depois de um primeiro semestre marcado pela aproximação com o design de produto e um segundo momento em que os conhecimentos começaram a se conectar, o terceiro semestre da Fatec trouxe uma reflexão diferente: comecei a perceber não apenas o que eu estava aprendendo, mas também que tipo de designer eu quero me tornar.

As disciplinas deste semestre foram Design Biomimético, Ecodesign, Ética Profissional, Modelagem e Prototipagem, Práticas de Criatividade e Produtos de Baixo Orçamento e Polímeros e Compósitos. Cada uma delas trouxe uma perspectiva diferente sobre o processo de design, desde a escolha de materiais e processos de fabricação até questões mais amplas sobre responsabilidade, criatividade e formas de projetar.

Materiais, fabricação e novas possibilidades

A disciplina de Polímeros e Compósitos foi uma das que mais ampliou minha visão sobre materiais. Eu já tinha interesse por polímeros por causa da impressão 3D, mas estudar esses materiais de uma forma mais ampla, conhecendo processos de fabricação e suas aplicações, abriu novas possibilidades.

Durante a disciplina, tivemos contato com diferentes tipos de materiais e também realizamos uma visita técnica para conhecer máquinas e processos industriais, uma experiência muito enriquecedora.

Percebi que a impressão 3D é apenas uma parte de um universo muito maior relacionado aos polímeros e que existe um grande potencial de aprofundamento nessa área, principalmente para designers de produto que trabalham com fabricação digital.

Essa disciplina também reforçou uma percepção que venho construindo: a fabricação digital, especialmente a impressão 3D, ainda possui muitas possibilidades de exploração e aprendizado. Comparada a outras tecnologias, como corte a laser e fresagem CNC, vejo nela um campo com grande potencial de expansão e experimentação, principalmente pela facilidade de testar novas formas, materiais e soluções.

Projetar considerando ciclos e impactos

O Ecodesign também trouxe reflexões importantes sobre a relação entre design e sustentabilidade. É uma área que considero complexa, porque muitas das questões envolvidas ultrapassam o alcance individual do designer e dependem de sistemas maiores, como políticas públicas, infraestrutura de reciclagem e mudanças na cadeia produtiva.

Ao mesmo tempo, acredito que é essencial que o designer compreenda essas questões e faça escolhas mais conscientes. Um dos pontos que mais gostei na disciplina foi a pesquisa e elaboração de fichas técnicas sobre materiais para o projeto do Tecnobreak.

O exercício não era apenas escolher um material considerado mais sustentável, mas entender seu ciclo: como é produzido, aplicado, montado, desmontado e substituído.

Essa forma de pensar mudou minha visão sobre materiais. Um projeto mais responsável não depende apenas da escolha de um material, mas também de como ele será utilizado durante toda sua vida útil e de como suas partes podem ser mantidas, substituídas ou reaproveitadas.

Quando a pesquisa encontra a experimentação

Entre todas as disciplinas, Design Biomimético foi a que mais despertou minha curiosidade. Foi uma oportunidade de entrar em contato com um novo universo de possibilidades, observando como a natureza pode inspirar soluções de design através de estruturas, padrões e processos.

Essa disciplina também foi o momento em que consegui unir conhecimentos que eu já vinha explorando fora da faculdade, principalmente meus estudos com design paramétrico e Grasshopper.

O script desenvolvido para essa disciplina acabou ultrapassando o ambiente acadêmico: foi o trabalho que utilizei para uma publicação na Rhino3Dzine, uma publicação internacional da área de Rhino e design computacional.

Ter esse retorno externo foi muito significativo, porque mostrou que os estudos pessoais que venho desenvolvendo também podem gerar conexões e oportunidades além da sala de aula. Foi uma confirmação de que explorar novas ferramentas e linguagens pode abrir caminhos inesperados.

Criatividade, autoria e liberdade de criar

Outro momento importante do semestre foi a disciplina de Práticas de Criatividade e Produtos de Baixo Orçamento. Foi uma das matérias em que senti maior liberdade para explorar ideias e desenvolver produtos de forma mais autoral.

Os projetos tinham uma característica mais conceitual, permitindo experimentar materiais e soluções que normalmente não fazem parte da minha rotina profissional, como o uso de estofados e novas possibilidades de mobiliário.

Mesmo explorando mais livremente, sempre busquei pensar em produtos que realmente pudessem ser fabricados, equilibrando criatividade e viabilidade.

Essa disciplina também me fez refletir sobre a diferença entre o design que desenvolvo profissionalmente e os projetos autorais que realizo fora do trabalho.

No ambiente profissional, muitas vezes o foco está em resolver problemas técnicos, atender restrições e desenvolver soluções dentro de determinados parâmetros. Já nos projetos pessoais e acadêmicos encontro mais espaço para pesquisa, experimentação e construção de uma linguagem própria.

Acredito que esses dois lados são importantes e complementares. O trabalho profissional desenvolve minha capacidade técnica, enquanto os projetos autorais permitem explorar novas ideias e ampliar minha visão como designer.

O Tecnobreak como síntese do semestre

O projeto do Tecnobreak foi a síntese de muitos desses aprendizados. A proposta era repensar um espaço existente da faculdade voltado aos estudantes, aplicando conceitos de biomimética, ecodesign, design de mobiliário e design de interiores.

Foi um projeto bastante trabalhoso, mas também um dos processos mais ricos que participei. Passamos pela pesquisa do espaço, entrevistas, desenvolvimento de conceitos, estudos visuais e criação da proposta final.

Além disso, exploramos a fabricação digital através da construção de uma maquete física na escala 1:25, que trouxe uma representação muito próxima do projeto e tornou o resultado ainda mais especial.

Trabalhar em dupla também foi uma experiência muito positiva. Eu e o William conseguimos complementar nossas habilidades: enquanto eu tinha mais facilidade com pesquisa, conceitos e desenvolvimento do projeto, ele contribuiu muito com aspectos como representação visual, renderização e estudos de cores.

Essa troca também mostrou áreas em que ainda quero me desenvolver para ampliar minhas possibilidades como designer.

Construindo uma forma própria de criar

Ao final deste semestre, percebo que comecei a entender melhor meu próprio processo criativo. Durante o desenvolvimento dos projetos, principalmente no Tecnobreak, percebi que muitas vezes ainda parto de referências existentes para construir soluções. Essa é uma etapa natural do processo de design, já que nenhuma criação surge completamente isolada de outros conhecimentos, imagens e experiências.

Ao mesmo tempo, comecei a perceber a importância de ir além da reprodução de referências, buscando entender os princípios por trás delas e encontrar formas de transformar essas inspirações em soluções com uma intenção própria. Em alguns momentos do projeto consegui explorar caminhos mais autorais, principalmente quando conectei diferentes conhecimentos e busquei responder às necessidades específicas da proposta.

Mais do que aprender novas ferramentas ou materiais, esse semestre me mostrou que criar envolve pesquisar, observar, questionar e desenvolver gradualmente uma forma própria de enxergar o design. Acredito que construir essa identidade é um processo contínuo, feito de experimentações, referências e novas descobertas.

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